sexta-feira, 6 de junho de 2008

AFORISMOS DA BUGRA LOBA

Um olhar poético

O grande problema ou não de um poeta, ou quem assim se considera, é a observação.

Temos um olhar educacionalmente falando multidisciplinar.

Nossos olhos percorrem tudo e todos, em instantes a velocidade da luz.

Percebemos cores, aromas, olhares, faces, caretas, som, luzes dispersas em todas as direções.

Nos transmutamos.

Nossa capacidade de interação foge ao convencional, ao que foi dito, percebemos o que não se disse.

Releio e revejo cada expressão, cada sorriso, cada interrogação, cada negativa e desinteresse.

E isso nos deixa assim atônitos, pensativos, tentando conjugar verbos que não conjugam entre si.

Com a poesia sendo nossa guia, não conseguimos esboçar coisas tão imediatas ou reais, palpáveis, que consigam transmitir ao outro a nossa percepção.

Como ser poeta e ser gestor?

Como transformar a capacidade de percepção em literatura profissional?

O mundo precisa de pessoas que nos façam emocionar, mas ao mesmo tempo não podemos cair na pieguice de frases já feitas e rótulos já consagrados.

Não podemos impor o que os sentimentos nos dizem, mas descobrir nas palavras o que podem tocar o seu coração.

Como unir teoria, prática, globalização, alinhamento de carreira, mudanças, concorrência, diferencial, competências, habilidades, relacionamentos interpessoais, sobrevivência competição com o mundo poético que vislumbramos?

Como transmitir literalmente a quem nos lê, aquilo que nos parece tão óbvio, sem cair no achismo?

Não sei.

Queria poder ter essa palavra mágica que transformasse o que sinto em discurso universal, que fosse entendido, aqui, acolá e muito além.

Queria ter o poder, o dom de repassar o sentimento de unidade, de dependência um dos outros, de fraternidade, de troca, da necessidade de empatia num mundo tão individualista.

Mas não encontro as palavras certas, as explicações que se exigem sobre algo ter ou não a capacidade de transformar a vida, a minha, a sua, a dos outros.

E então me consolo no Amor. Talvez o amor, um sorriso, seja uma linguagem universal entendida em qualquer língua, em qualquer lugar.

Mas como posso te pedir para amar, a tudo e a todos, sem padecer de parecer tolo, ultrapassado, fora do tempo, da realidade?

Estamos na era da corrida, das mudanças, do conhecimento, da reciclagem profissional interminável, em que padrões de comportamento e aprendizados de ontem estão ultrapassados.

Como parar o tempo, por um segundo apenas, olhar em teus olhos, e dizer: eu te percebo e te amo? A ti, meu semelhante, meu colega, meu irmão, meu aluno, meu professor, meu chefe, meu filho, minha mãe...

Como explicar a um mundo tão estereotipado, massacrado, informatizado, brilhante, caótico, diferente, que estamos acá, no mesmo barco, remando para o mesmo lugar, com os mesmos sentimentos, com as mesmas qualidades e defeitos, com os mesmos sonhos e pesadelos num mundo tão divergente?

Não sei.

Queria apenas te tocar, assim suavemente em teu ombros e dizer: estou aqui, tu estás aí, não podemos ser apenas nós?

Vem cá, me dê um abraço, sinta meu coração pulsar no teu, veja como minhas mãos se entrelaçam com a s tuas, assim naturalmente.

Vem cá, deixe a poesia te invadir, me cante uma canção, me faça um afago, não me faça sentir tão só.

Poetas, ah essa raça de gente que acha beleza na tristeza, na desgraça, no belo, no feio, no certo, no errado, em tudo.

Talvez um convite: venha poetizar!

Um comentário:

marcio lopes disse...

muito lindo e muito profundo isto que esta escrito sobre o poeta.
Adorei, e compartilho das mesmas ideias expostas, muitas vezes não compreendidas por outras pessoas.

Poemas da Bugra Loba

Bastava um olhar maroto Um toque sutil um sorriso matreiro um sopro leve ao ouvido uma voz entre linhas E cairia para sempre o medo de ser ridícula.

Oca

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Oca da Bugrinha

Oca da Bugrinha